Entrevista: C. S. Vena revela os segredos de O Pulso do Abismo, seu livro de estreia.

 

Entre o silêncio e a pólvora: os limites de Fantasma e Ferida


Em “O Pulso do Abismo”, C. S. Vena constrói um romance de tensão, violência e pertencimento, colocando dois personagens marcados pela dor diante de um sentimento que nenhum dos dois sabe nomear

Entre missões clandestinas, treinamentos brutais e cicatrizes que ultrapassam o corpo, surge O Pulso do Abismo, romance que mergulha o leitor no universo sombrio da organização paramilitar Tácita. No centro dessa história estão Dante e Catalina, dois sobreviventes que aprenderam a lidar com a própria dor de maneiras completamente diferentes, ele, pelo silêncio e pelo controle; ela, pela fúria e pelo confronto.

Dante, conhecido pelo codinome Fantasma, é um atirador de elite metódico e aparentemente impenetrável. Catalina, rebatizada como Ferida, sobreviveu ao Projeto Redoma e carrega as consequências físicas e emocionais daquilo que viveu. Quando os dois são colocados frente a frente, a hostilidade se torna inevitável, mas também revela algo que nenhum deles está preparado para compreender.

Por trás da ação, do romance e da atmosfera sombria, C. S. Vena constrói uma história sobre pertencimento, humanidade e a descoberta de que aquilo que enxergamos como uma falta pode esconder justamente aquilo que nos torna únicos. 

Nesta entrevista, a autora fala sobre a criação de Dante e Catalina, o desenvolvimento do universo de OPDA, as cenas que mais a afetaram e o que espera provocar no leitor ao chegar à última página.


1. Todo livro nasce de uma pergunta. Qual foi a pergunta que deu origem a O Pulso do Abismo?

R: Eu havia escrito personagens muito lúcidos, que sabiam o que sentiam, apesar de não poderem viver aquele amor fisicamente por inúmeros motivos e obstáculos. E uma dúvida começou a nascer: e se o oposto acontecesse? E se meus personagens pudessem experienciar o amor fisicamente, mas não tivessem o discernimento necessário para entender que era amor? Como isso se daria? Como eu poderia demonstrar isso?


2. Seus protagonistas carregam muitas cicatrizes. Em que momento você percebeu que a história deles seria, acima de tudo, sobre humanidade?

R: Quando as crises de dor e de insônia, assim como as consequências da baixa visão, começaram a aparecer, percebi que não era só uma história de super-heróis. A pesquisa e o estudo para a construção dessas características me fizeram enxergar além da história. Percebi o quanto pessoas que sentem alguma falta poderiam se enxergar neles e encontrar algum conforto na forma como eles lidariam com cada uma delas.


3. Existe alguma cena que você escreveu e precisou parar por alguns minutos porque ela também mexeu com você?

R: Com certeza. As cenas de Catalina em sofrimento foram muito difíceis no geral. Mas o momento em que ela olha para a pedra e pensa em acabar com tudo me destruiu. Porque foi o momento em que ela desistiu de lutar. A Redoma a torturou, mas não chegou perto de matá-la. Quem chegou mais perto disso foi a própria Catalina.


4. O universo de OPDA é bastante complexo. Você planejou tudo antes de começar a escrever ou descobriu esse mundo junto com os personagens?

R: OPDA começou com um universo relativamente simples: missões secretas, codinomes, patentes. Mas o desenvolvimento da história foi exigindo mecânicas mais verossímeis, worldbuilding mais consistente, e foi durante o próprio desenvolvimento da história que fui dando profundidade a tudo. Muitas camadas foram acrescentadas apenas depois de a história ter sido terminada. Um exemplo é a caracterização da ambientação. Até terminar de escrever, “São Ferro” não existia, e hoje é uma característica muito forte da marca.


5. Sem dar spoilers: qual personagem mais surpreendeu você durante a escrita por ganhar vida própria e tomar decisões que não estavam nos seus planos?

R: Kael, sem dúvida. Ele tinha um papel muito definido, aquele pequeno alívio cômico. Mas veja tudo o que ele quis fazer! Hahahahah!


6. Quem ainda não conhece a história pode imaginar que ela é

apenas um dark romance ou romance. O que você diria para convencer esse leitor de que a história vai além desses rótulos?

R: OPDA é uma história sobre pertencimento. Uma história onde pessoas disfuncionais fazem tudo, inclusive elas mesmas, funcionarem ao redor, da forma mais inesperada possível. Tudo na história é surpreendente: o recrutamento, o trabalho, a convivência, o… romance? Hehehe.


7. Há um tema muito forte atravessando todo o enredo. Qual era a mensagem que você mais queria transmitir ao leitor quando escreveu essa história?

R: Você pode achar que te falta algo. Você pode achar que é esquisito, que não se encaixa, que não soma nada. Mas você sempre vai ter algo peculiar e valioso que você mesmo não enxerga. E sempre vai haver espaço para você ao lado das pessoas certas.


8. Se pudesse descrever a experiência de ler O Pulso do Abismo em apenas três palavras, quais escolheria?

R: Intensidade, surpresa e risadinhas.


9. Durante o processo de escrita, houve algum momento em que você pensou: “não sei se terei coragem de colocar isso no livro”?

R: Sim. Algumas das experiências de Catalina, achei que fossem demais. Mas, para que o arco dela atingisse o pico planejado de força, foram necessárias.


10. Quando o leitor fechar a última página do livro, qual é o sentimento que você espera que permaneça com ele?

R: Curiosidade. Quero que o leitor se pergunte: “O que foi tudo isso que eu vi? Quem são essas pessoas, o que querem, o que vão fazer?”. Quero que eles me assediem por respostas! Kkkk!


Sobre a autora

C. S. Vena escreve romances para leitores que gostam de sentir tudo: a tensão de um quase, o peso de uma escolha e o tipo de amor que chega tarde, mas muda o ritmo inteiro da vida. Quando não está trabalhando com dados, pode ser encontrada entre partituras, aulas de balé e personagens que insistem em transformar silêncio em confissão.

Sobre O Pulso do Abismo

Na organização paramilitar clandestina Tácita, emoções são uma falha de segurança e a fraqueza é uma sentença de morte.

Dante, conhecido pelo codinome Fantasma, é a arma perfeita: um atirador de elite frio, metódico e impenetrável. Mas, por trás do controle, existem dores crônicas e uma insônia que o devora durante as madrugadas.

Catalina, codinome Ferida, sobreviveu ao Projeto Redoma, um laboratório de experimentação brutal que destruiu sua visão e deixou marcas profundas em sua alma. Insolente, caótica e feroz, ela transformou a própria dor em agressividade e se recusa a aceitar ordens, especialmente quando vêm de Dante, seu tutor.

Fantasma e Ferida são o choque entre o silêncio e o caos. Entre treinamentos, missões e confrontos, a hostilidade que os une começa a esconder uma tensão impossível de ignorar.

Instagram da autora: @csvena_autora

Compre o e-book: Amazon 

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.